Começar pelo consumo documentado

Junte as faturas de doze meses e anote o consumo de cada período. Se tiver acesso ao Balcão Digital, exporte os consumos disponíveis. Indique a potência contratada e o tarifário. Não invente medições: se faltam dados, escreva «sem dados» e use estimativas assumidas como tal.

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Exemplo: os mesmos 12 kWh com distribuições diferentes

Com valores de exemplo: duas casas consomem 12 kWh por dia. A primeira gasta 6 kWh entre as 10 e as 16 horas (máquinas, teletrabalho) e 6 kWh ao fim do dia; a segunda gasta 2 kWh durante o dia e 10 kWh à noite. Com a mesma instalação, a primeira aproveita diretamente muito mais da produção solar; a segunda injeta mais excedentes ou precisa de outra organização (programar máquinas para o meio-dia) ou de armazenamento. O total é igual, a pergunta é diferente.

Casa (exemplo)Consumo das 10 às 16 hConsumo fora dessas horasTotal diário
A6 kWh6 kWh12 kWh
B2 kWh10 kWh12 kWh
Contadores elétricos alinhados numa parede

Separar mudanças futuras

Um carro elétrico, uma bomba de calor ou teletrabalho vão mudar o perfil. Descreva-os num cenário separado («a partir de 2027, carregamento de 8 kWh por noite») em vez de os misturar no consumo atual. Peça aos instaladores que mostrem os dois cenários.

Os passos indicados pela E-REDES

A E-REDES descreve o percurso: definir o perfil e a potência, contratar um técnico acreditado (a lista está no site da DGEG), registar-se no Portal do Autoconsumo quando aplicável, aguardar a análise e a verificação do contador (que a E-REDES substitui ou configura sem custos se não for adequado), obter certificação acima de 30 kW e só depois ativar a produção. O armazenamento em bateria é opcional.

Limiar indicado pela E-REDESO que muda
Acima de 700 W, ou com injeção ou vendaRegisto no Portal do Autoconsumo da DGEG
Acima de 4 kWContador totalizador, modem e cartão GSM a cargo do autoconsumidor
Acima de 30 kWCertificação da DGEG com inspeção prévia
Acima de 250 kWProteção de interligação

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Erros a evitar

  • Dimensionar pela soma anual sem olhar para as horas em que consome.
  • Supor que a produção solar coincide com o jantar e o banho.
  • Esquecer consumos futuros já decididos, como um carro elétrico ou uma bomba de calor.
  • Comparar propostas que partem de perfis de consumo diferentes.
  • Tratar do registo da instalação depois da montagem, em vez de antes.

Propostas que usem a mesma informação

Entregue a todos os instaladores o mesmo dossiê: faturas, perfil horário, cenário futuro, fotografias da cobertura e do quadro elétrico. Uma fotografia não confirma a viabilidade técnica: peça a visita. Compare potência, produção estimada com a respetiva hipótese, autoconsumo previsto, equipamentos, garantias e trâmites incluídos.

Para ter à mão

Perguntas frequentes

Preciso de registar a minha instalação?

Segundo a E-REDES, o registo no Portal do Autoconsumo da DGEG é necessário acima de 700 W de potência instalada ou se quiser injetar ou vender excedentes. Confirme no guia da DGEG.

Tenho de trocar o contador?

A E-REDES verifica o contador e, se não for adequado, substitui-o ou configura-o sem custos; acima de 4 kW é preciso um contador totalizador com modem e cartão GSM.

Porque é que o perfil horário importa?

Porque os painéis produzem durante o dia: com o mesmo consumo total, uma casa que gasta ao meio-dia aproveita mais a produção do que uma que gasta à noite.

E se não tiver dados de consumo hora a hora?

Comece pelas faturas mensais e por um registo manual das utilizações principais durante algumas semanas: é menos preciso, mas já mostra quando consome.

Recursos e soluções

Fontes e referências

  1. E-REDES — Quero ser autoconsumidor — consultado em 29 de outubro de 2026
  2. DGEG — Autoconsumo e Comunidades de Energia Renovável — consultado em 29 de outubro de 2026