Antes dos painéis solares: como preparar o perfil de consumo da sua casa O mesmo consumo anual pode esconder casas muito diferentes: uma que gasta sobretudo ao meio-dia, outra que gasta quase tudo à noite. Para os painéis solares, o perfil horário conta mais do que o total. Antes de pedir propostas, junte o consumo documentado, organize os horários e conheça os passos indicados pela E-REDES para se tornar autoconsumidor. A resposta curta Reúna as faturas de um ano e, se possível, os consumos do Balcão Digital da E-REDES, que permite consultar consumos e valores injetados na rede. Anote os horários dos grandes consumos (máquinas, cozinha, aquecimento, carregamento do carro) e quais podem passar para as horas de sol. Peça propostas que usem a mesma informação. Segundo a E-REDES, é preciso registar-se no Portal do Autoconsumo da DGEG se a potência instalada for superior a 700 W ou se quiser injetar ou vender excedentes; acima de 4 kW é exigido um contador totalizador com modem e cartão GSM; acima de 30 kW é exigida certificação da DGEG. Confirme sempre os procedimentos no guia de licenciamento da DGEG, que já refere o Decreto-Lei n.º 100/2026. Começar pelo consumo documentado Junte as faturas de doze meses e anote o consumo de cada período. Se tiver acesso ao Balcão Digital, exporte os consumos disponíveis. Indique a potência contratada e o tarifário. Não invente medições: se faltam dados, escreva «sem dados» e use estimativas assumidas como tal. Exemplo: os mesmos 12 kWh com distribuições diferentes Com valores de exemplo: duas casas consomem 12 kWh por dia. A primeira gasta 6 kWh entre as 10 e as 16 horas (máquinas, teletrabalho) e 6 kWh ao fim do dia; a segunda gasta 2 kWh durante o dia e 10 kWh à noite. Com a mesma instalação, a primeira aproveita diretamente muito mais da produção solar; a segunda injeta mais excedentes ou precisa de outra organização (programar máquinas para o meio-dia) ou de armazenamento. O total é igual, a pergunta é diferente. Casa (exemplo) | Consumo das 10 às 16 h | Consumo fora dessas horas | Total diário A | 6 kWh | 6 kWh | 12 kWh B | 2 kWh | 10 kWh | 12 kWh Separar mudanças futuras Um carro elétrico, uma bomba de calor ou teletrabalho vão mudar o perfil. Descreva-os num cenário separado («a partir de 2027, carregamento de 8 kWh por noite») em vez de os misturar no consumo atual. Peça aos instaladores que mostrem os dois cenários. Os passos indicados pela E-REDES A E-REDES descreve o percurso: definir o perfil e a potência, contratar um técnico acreditado (a lista está no site da DGEG), registar-se no Portal do Autoconsumo quando aplicável, aguardar a análise e a verificação do contador (que a E-REDES substitui ou configura sem custos se não for adequado), obter certificação acima de 30 kW e só depois ativar a produção. O armazenamento em bateria é opcional. Limiar indicado pela E-REDES | O que muda Acima de 700 W, ou com injeção ou venda | Registo no Portal do Autoconsumo da DGEG Acima de 4 kW | Contador totalizador, modem e cartão GSM a cargo do autoconsumidor Acima de 30 kW | Certificação da DGEG com inspeção prévia Acima de 250 kW | Proteção de interligação Erros a evitar • Dimensionar pela soma anual sem olhar para as horas em que consome. • Supor que a produção solar coincide com o jantar e o banho. • Esquecer consumos futuros já decididos, como um carro elétrico ou uma bomba de calor. • Comparar propostas que partem de perfis de consumo diferentes. • Tratar do registo da instalação depois da montagem, em vez de antes. Propostas que usem a mesma informação Entregue a todos os instaladores o mesmo dossiê: faturas, perfil horário, cenário futuro, fotografias da cobertura e do quadro elétrico. Uma fotografia não confirma a viabilidade técnica: peça a visita. Compare potência, produção estimada com a respetiva hipótese, autoconsumo previsto, equipamentos, garantias e trâmites incluídos. Para ter à mão □ Reunir doze meses de faturas. □ Exportar consumos do Balcão Digital, se disponíveis. □ Anotar horários dos grandes consumos. □ Separar o cenário futuro do consumo atual. □ Verificar os limiares de registo e certificação. □ Entregar o mesmo dossiê a todos os instaladores. □ Comparar propostas sobre as mesmas hipóteses. Preciso de registar a minha instalação? Segundo a E-REDES, o registo no Portal do Autoconsumo da DGEG é necessário acima de 700 W de potência instalada ou se quiser injetar ou vender excedentes. Confirme no guia da DGEG. Tenho de trocar o contador? A E-REDES verifica o contador e, se não for adequado, substitui-o ou configura-o sem custos; acima de 4 kW é preciso um contador totalizador com modem e cartão GSM. Porque é que o perfil horário importa? Porque os painéis produzem durante o dia: com o mesmo consumo total, uma casa que gasta ao meio-dia aproveita mais a produção do que uma que gasta à noite. E se não tiver dados de consumo hora a hora? Comece pelas faturas mensais e por um registo manual das utilizações principais durante algumas semanas: é menos preciso, mas já mostra quando consome. Fontes e referências E-REDES — Quero ser autoconsumidor — https://www.e-redes.pt/pt-pt/clientes-e-parceiros/produtores/quero-ser-autoconsumidor DGEG — Autoconsumo e Comunidades de Energia Renovável — https://www.dgeg.gov.pt/pt/areas-setoriais/energia/energia-eletrica/producao-de-energia-eletrica/producao-descentralizada-autoconsumo-e-upp-mp-mn/autoconsumo-e-cer/