Três perguntas antes de olhar para um único posto
O número destacado num posto de carregamento, 7,4 kW ou 22 kW por exemplo, é uma potência máxima. O seu carro só tirará partido dela se outros dois elos acompanharem: a alimentação da sua casa e o carregador do veículo. Em corrente alternada, a de um posto doméstico, é o conversor do veículo que transforma a corrente para a bateria, e a potência recebida fica limitada pela potência de carregamento máxima do veículo. Um fabricante de postos de carregamento resume-o com uma imagem: o elo mais fraco da cadeia determina a velocidade.
O seu dossier responde, portanto, a três perguntas: o que pode a casa fornecer, o que aceita o veículo e quando está estacionado? Com estas respostas, a conversa com o instalador muda de natureza. Já não pergunta «que posto devo comprar?»: mostra a sua situação e compara propostas feitas para ela. É, na nossa opinião, o tempo mais bem investido de todo o projeto.
O que este dossier não faz: escolher uma proteção, uma linha de alimentação ou um modo de montagem. Esse trabalho cabe ao profissional que examinará a instalação. Não tem nada a abrir nem a desmontar; reúne documentos e observações, e deixa um campo em branco em vez de o adivinhar.
Do lado da casa: potência contratada, fases e quadro elétrico
Comece pela potência contratada, expressa em kVA. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) explica que ela deve cobrir a potência agregada dos equipamentos que usa ao mesmo tempo e indica que, nas instalações monofásicas, as habitações de pequena e média dimensão ficam limitadas a potências contratadas entre 1,15 kVA e 10,35 kVA, sendo 3,45 kVA e 6,9 kVA os escalões mais frequentes em Portugal. O valor consta do seu contrato e da sua fatura: copie-o tal como está, com a data do documento.
Acrescente uma observação simples: o quadro elétrico já se desligou quando vários aparelhos funcionavam ao mesmo tempo? Segundo a ERSE, é o que acontece quando a potência somada dos aparelhos ligados ultrapassa o escalão contratado; se isso já aconteceu, anote quando e com que aparelhos em funcionamento. A ERSE acrescenta que, com um contador integrado no sistema de contadores inteligentes do operador, pode pedir acesso ao seu histórico de consumos. Estes registos contam os seus picos de consumo e ajudam o instalador a avaliar a margem disponível nas horas em que o carro vai carregar. Convém saber: segundo a ERSE, a potência contratada não pode ser superior à potência requisitada, o valor para o qual a ligação à rede está dimensionada, e o proprietário encontra-o na Ficha Eletrotécnica da instalação.
Registe depois o tipo de alimentação. Um fabricante de postos de carregamento lembra que um contador que indica 220/230 V corresponde a uma única ligação monofásica. Em caso de dúvida, o nosso conselho: pergunte ao seu comercializador ou deixe o campo «a confirmar». A informação pesa muito: segundo as perguntas frequentes técnicas da Schneider Electric, um carregamento a 11 ou 22 kW só pode ser fornecido por um posto ligado a uma rede trifásica.
Termine com o quadro e o percurso. Fotografe o quadro elétrico tal como está, com a porta aberta mas sem desmontar nenhuma tampa, anote a sua localização e descreva o caminho até ao lugar de estacionamento: paredes, garagem, pátio ou passagem a atravessar, com uma distância estimada. Indique também o que sabe sobre a ligação à terra (sim, não ou desconhecido): é um dos pontos a esclarecer com o instalador.

Do lado do veículo: a potência aceite, as fases e a tomada
A documentação do fabricante (manual, ficha técnica, secção de carregamento do site da marca) é a única referência válida para o seu carro. Procure a potência de carregamento máxima em corrente alternada, em kW, e o número de fases utilizadas. Um fabricante de postos explica que cada veículo elétrico tem um número determinado de fases de carregamento, tal como cada posto: um carro monofásico ligado a um posto trifásico carrega numa única fase. Assinala também que alguns veículos carregam em duas fases, quando não existe nenhum posto bifásico: um caso a mencionar expressamente ao instalador.
Não confunda este valor com a potência de carregamento rápido em corrente contínua, muitas vezes posta em destaque. A Avere-France, associação francesa para o desenvolvimento da mobilidade elétrica, lembra que os postos em corrente contínua não podem ser instalados em casa de particulares: para o seu dossier, só conta o carregamento em corrente alternada. Anote também a versão exata do veículo, o ano e o equipamento, porque uma documentação lê-se para um veículo preciso, não para o nome de uma gama.
Quanto à tomada, a Avere-France apresenta o Tipo 2 como o padrão único europeu do carregamento em corrente alternada. Verifique, ainda assim, a tomada do seu veículo na documentação e anote-a tal como lá aparece. Veja por fim as definições: as perguntas frequentes da Schneider Electric lembram que é possível limitar o carregamento em corrente alternada a partir do veículo ou da aplicação do fabricante, que um limite expresso em percentagem pode parar o carregamento a 80 % ou 90 % e que o veículo reduz voluntariamente a potência nas últimas percentagens. Segundo essas perguntas frequentes, uma definição esquecida está entre as causas possíveis de um carregamento mais lento do que o previsto.
A tabela seguinte retoma as correspondências publicadas por este fabricante para os seus postos. Descrevem o posto e a sua alimentação, não o seu carro: a última coluna indica a pergunta a fazer à documentação do veículo.
| Potência máxima do posto | Alimentação | Corrente máxima | Pergunta a fazer à documentação do veículo |
|---|---|---|---|
| 3,7 kW | Monofásica | 16 A | Que potência aceita em corrente alternada? |
| 7,4 kW | Monofásica | 32 A | Qual é a sua potência máxima numa fase? |
| 11 kW | Trifásica | 16 A por fase | Carrega em três fases, e até que potência? |
| 22 kW | Trifásica | 32 A por fase | A documentação anuncia 22 kW em corrente alternada? |
Os horários: quando está o carro realmente ligado?
Esta é a parte mais agradável do dossier, porque devolve os números à sua escala. Anote, dia a dia, a hora habitual de chegada e de partida, e a distância percorrida. Distinga a semana típica, o fim de semana e os dias excecionais, como a véspera de uma viagem longa. É esta janela de estacionamento, muito mais do que a potência máxima anunciada, que diz se o carregamento encontrará lugar no seu ritmo.
Converta depois os quilómetros em energia, com o consumo indicado pela documentação do veículo ou observado no computador de bordo. Como ordem de grandeza, o mediador nacional da energia francês cita um estudo da ADEME, a agência francesa para a transição ecológica, segundo o qual um veículo elétrico consome em média 18 kWh por 100 km, e estima que uma utilização de 40 a 60 km por dia representa um carregamento diário em casa de 6 a 12 kWh.
Um cálculo pedagógico ajuda a pôr as coisas em perspetiva. Uma energia em kWh dividida por uma potência em kW dá uma duração em horas: 7,2 kWh, ou seja, 40 km a 18 kWh/100 km, representam cerca de 1 hora a 7,4 kW e cerca de 2 horas a 3,7 kW. É um mínimo teórico, não uma duração prometida: o veículo, o cabo, uma definição ou a gestão dinâmica da carga podem limitar a potência realmente absorvida. Mas, comparada com uma noite passada à porta de casa, a diferença dá, na nossa opinião, muita folga ao projeto.
Anote, por fim, a opção horária do seu contrato e os respetivos horários. A ERSE observa que, se carregar o carro nas horas de menor utilização, por exemplo durante a noite (depois das 23h), poderá não necessitar de subir o escalão de potência contratada. Diga simplesmente ao instalador se deseja que o carregamento se faça num período preciso: ele indicará como o posto, o veículo ou ambos se podem adaptar.
Cabo, localização e gestão da carga: os detalhes que fazem o conforto
Consoante o modelo, o cabo está fixo ao posto ou liga-se a uma tomada de tipo 2 do posto: o manual indica-o, e o instalador dir-lhe-á que versão convém à sua instalação. Em ambos os casos, o comprimento conta no dia a dia. Meça o percurso real entre o local previsto na parede e a tampa de carregamento do carro, no sentido em que costuma estacionar e no outro, sem esquecer uma porta a abrir ou uma passagem a deixar livre.
Um cabo também tem os seus limites. As perguntas frequentes da Schneider Electric lembram que existem vários calibres de cabos de tipo 2: 13 A, 20 A ou 32 A, ou seja, no máximo 3 kW, 4,6 kW ou 7,4 kW em monofásico, e 9 kW, 13,8 kW ou 22 kW em trifásico. Uma ficha de produto indica-o com todas as letras: a de um cabo tipo 2 / tipo 2 do mesmo fabricante anuncia uma utilização monofásica, 32 A, 5 m e 7,4 kW no máximo. No seu dossier, o comprimento do cabo anota-se em metros, com a referência e a página do documento que o indica.
A gestão dinâmica da carga, ou deslastre, é a opção que facilita a convivência com o resto da casa. Segundo as mesmas perguntas frequentes, limita a potência de carregamento do veículo para nunca ultrapassar o limite fixado. Este fabricante descreve, em particular, a sua aplicação através de um módulo instalado no quadro elétrico. Outro fabricante apresenta esta gestão das cargas como o meio de evitar cortes de corrente.
Para ajudar o instalador a avaliar, liste os aparelhos potentes que podem funcionar durante os seus horários de carregamento: aquecimento, produção de água quente, placa de cozinha, forno, máquina de lavar roupa. Não é preciso inventar a sua potência: o nome, a localização e os horários bastam para abrir a conversa. No dossier, a linha «gestão dinâmica da carga» preenche-se com sim, não ou a confirmar, de acordo com o manual do posto proposto.
Entregar o dossier ao interlocutor certo
Em Portugal, a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) responde às perguntas frequentes sobre o regime jurídico da mobilidade elétrica, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 93/2025, de 14 de agosto. Indica que a instalação deve ser executada por uma entidade instaladora ou por técnicos responsáveis pela execução registados na DGEG, que um técnico só pode assumir essa responsabilidade a título individual até 41,4 kVA e que, terminada a obra, a entidade instaladora ou o técnico disponibiliza uma declaração de conformidade da execução ou um termo de responsabilidade pela execução. O seu dossier não tem de decidir que caso se aplica: na nossa opinião, apresente-o a um desses profissionais e pergunte-lhe em que caso se situa o seu projeto.
Se for decidido aumentar a potência contratada, a ERSE indica que o pedido se faz ao comercializador, que agenda, se necessário, a visita de um técnico do operador da rede de distribuição; numa instalação que já tenha contador inteligente, a alteração é feita remotamente, sem necessidade da presença do cliente. Se for preciso ir além da potência requisitada, a ERSE lembra que esse aumento tem custos adicionais: num condomínio, exige uma autorização dos condóminos e, numa casa arrendada, carece da autorização do senhorio e do condomínio. Na nossa opinião, um dossier completo torna cada uma destas etapas mais fluida.
Num edifício em condomínio, o processo começa noutro lado. A DGEG confirma que um condómino, arrendatário ou ocupante legal de um edifício existente pode ser detentor de um ponto de carregamento ou de uma tomada própria, desde que a instalação cumpra os requisitos técnicos e regulamentares de segurança. A intenção de instalar comunica-se ao condomínio por escrito, com pelo menos 30 dias de antecedência em relação à data pretendida. O condomínio ou o proprietário só se podem opor nos casos que a lei enumera, por exemplo se, no prazo de 90 dias, instalarem um ponto de carregamento partilhado que cubra as necessidades de todos os potenciais utilizadores, ou se a instalação representar um risco efetivo para a segurança de pessoas ou bens; o condomínio dispõe de um prazo máximo de 30 dias para decidir. Os elementos do seu dossier relativos ao lugar de estacionamento alimentarão essa comunicação.
Para terminar, arrume cada informação numa de três colunas: confirmada por um documento, observada por si, a confirmar pelo instalador. Envie o mesmo dossier a cada profissional consultado: comparará propostas construídas sobre os mesmos dados, e é aí que a escolha de um posto se torna verdadeiramente simples, e até agradável.
Para ter à mão
Perguntas frequentes
Um posto de 22 kW vai carregar forçosamente mais depressa?
Não. Um carregamento a 22 kW pressupõe uma alimentação trifásica, um posto e um cabo previstos para essa potência e um veículo que a aceite em corrente alternada. A potência recebida fica limitada pela potência de carregamento máxima do veículo: é a sua documentação que deve ler primeiro.
Tenho de aumentar a potência contratada?
Este guia não o pode decidir por si: a resposta depende dos seus picos de consumo, dos seus horários e do posto proposto, nomeadamente da sua gestão dinâmica da carga. Se for decidido um aumento, a ERSE indica que o pedido se faz ao comercializador e que a potência contratada não pode ser superior à potência requisitada da instalação.
Posso instalar o posto sozinho?
Este guia não descreve, de propósito, nenhuma operação de montagem. Segundo a DGEG, a instalação deve ser executada por uma entidade instaladora ou por técnicos responsáveis pela execução registados na DGEG. O conselho da nossa redação: confie a avaliação e a instalação a um desses profissionais.
Vivo num condomínio: o dossier continua a servir?
Sim, e duas vezes. Alimenta a comunicação escrita que, segundo a DGEG, deve ser feita ao condomínio com pelo menos 30 dias de antecedência e, depois, serve de base ao instalador.
Recursos e soluções
- Ficha de trabalhoDossier do posto de carregamento: casa, veículo e horáriosCSV TXT
- FerramentasVer as 14 ferramentas
- Consumo, calor e carregamentoTodos os guias da secção «Consumo, calor e carregamento»
Fontes e referências
- Je roule en électrique — Les types de bornes
- go-e — Wallbox monophasée ou triphasée : quelle différence ?
- ERSE — Simulador de potência contratada
- Schneider Electric — Pourquoi mon véhicule ne charge pas à la puissance maximale fournie par la borne de recharge ?
- Énergie-Info — Je fais installer une borne de recharge pour un véhicule électrique
- Je roule en électrique — Les différentes prises pour recharger sa voiture électrique
- Énergie-environnement — Il ne faut pas confondre « watt » et « kilowattheure »
- Schneider Electric — Fiche EVB3S22NCB, borne EVlink Pro AC 22 kW, câble attaché T2
- Schneider Electric — Fiche EVP1CNS32122, câble de charge monophasé type 2 / type 2, 32 A, 5 m
- Schneider Electric — Comment délester une borne de recharge Schneider Charge ?
- DGEG — Mobilidade elétrica: perguntas frequentes (FAQ), instalação de pontos de carregamento em edifícios existentes


